10.11.03

A gente passa a vida inteira tendo que desviar de indivíduos que atravancam nosso progresso, quer voluntária, quer involuntariamente, mas é de lascar quando o maior boicotador é a gente mesmo :/ Essas pequenas coisas que a gente vive 'esquecendo', vive fazendo 'sem querer', mas de uma forma sistemática e infalível. E o pior é que é inconsciente MESMO, a gente jura de pé junto que não vai mais deixar acontecer, que foi a última vez, mas de repente, POU, acontece tudo de novo. Com consequências geralmente desastrosas.

A última dessas que eu me aprontei foi perder, DE NOVO, o prazo de inscrição para a transferência de faculdade. O que basicamente assinou o atestado de óbito da minha carreira acadêmica. Já estava absolutamente desestimulado e sem perspectiva com relação à faculdade, os anos de TDAH deixaram um estrago muito grande para consertar, e agora essa foi a gota d'água. Não tenho mais ânimo nem vontade para continuar meus estudos na UFRJ. Fico, sim, extremamente deprimido, me sentindo um fracasso total e absoluto, mas quando até meu subconsciente me passa a perna e ajuda a pregar a tampa do meu caixão, é porque não pode estar sendo bom. Foda é que se eu quiser me formar em faculdade vou ter que fazer outro vestibular, que na mais otimista das hipóteses, só vai me colocar na universidade de novo em janeiro de 2005. E mesmo se eu seguir o curso com 100% de aproveitamento, vou estar me formando só aos 29 anos.

Não consigo evitar de me deprimir com isso, não consigo evitar de achar que nunca vou ser """normal""", por mais que eu tente. É um conceito idiota, esse, de que se vc não tem diploma vc não é normal. Mas é o conceito pelo qual o mercado de trabalho idiota se regra. E é o conceito que todo mundo, bem ou mal, por mais que não perceba, buzina na sua orelha o tempo todo. Não sei no que um diploma de informática me engrandeceria como pessoa ou como profissional, mas também aprendi a não conseguir ver a vida sem um diploma. Parece que eu vou ser eternamente inferior e destinado a fazer trabalhos menores e desimportantes. E eu sei que no fundo, no fundo, eu entrei na faculdade de Informática para ter uma função que me desse dinheiro para sustentar meus outros sonhos, o sonho de fazer música por exemplo. E agora eu tenho um emprego público que já cumpre esse papel. Então, por quê me assusta tanto a idéia de largar essa merda de faculdade e ir estudar sozinho coisas que eu gosto?

Acho que fui criado pra ter mentalidade de empregado. A idéia de fazer as coisas sozinho e ir batalhar me apavora. É muito mais condizente com meu instinto, com meu modo de ver as coisas, mas ainda assim me apavora muito.

Acho que minha psiquiatra é que estava certa, preciso de um analista. Bah!




Wind

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