15.6.09

É curioso olhar para trás e pensar em quanta coisa aconteceu no último ano. Há muito tempo já eu vinha tendo aquela sensação de que os anos passavam muito rápido, sem dúvida consequência de uma vida levada em função da espera. O tempo voa quando não se está indo a lugar nenhum. Os últimos 365 dias, no entanto, me pareceram mais longos do que os 1000 que os antecederam. Nem tudo o que aconteceu foi bom - pra falar a verdade, eu diria que foi bem equilibrado entre momentos bons e ruins, entre a glória e o fundo do poço. Assim é a vida nas CNTP, então nenhuma novidade. Mas sem dúvida, muita coisa aconteceu. Ou eu passei a perceber mais os acontecimentos ao meu redor, a me envolver mais, sei lá.

Penso muito sobre meus irmãos, que completam 3 anos de vida daqui a alguns dias. Quando eles nasceram, parecia que estavam crescendo em fast-forward. Mal eu havia piscado, já estavam fazendo 1 ano. Outra piscada, e faziam 2! Isso me deixava angustiado, por achar que estava perdendo a infância dos meninos, morando tão longe. E também me incomodava porque esses 2 anos deviam ter valido tão mais para eles do que para mim. Nas minhas mais antigas memórias, 2 anos de vida pareciam uma eternidade. Especialmente porque normalmente esse era o máximo de tempo que eu passava morando no mesmo lugar, estudando no mesmo colégio, com a mesma turma de amigos. Aprendi que em 2 anos se vivia uma vida, e eu vivi várias.

E no entanto, enquanto planejo uma escapada para ir vê-los agora no terceiro aniversário, fico feliz em perceber que a sensação mudou para "nossa, eles estão fazendo SÓ três anos!" E que o último aniversário deles parece que aconteceu há decadas.

Foram muitas micro-vidas nesses 12 meses. Muitos projetos, muitas realidades diferentes. Lugares novos, rostos novos, rostos antigos que eu nem havia percebido o quanto me faziam falta. Novas direções, novos tropeços, novos pontos de vista que modificaram completamente coisas que eu achava que conhecia muito bem. E se por alguns instantes eu tive receio de estar sendo leviano, sei que é natural da infância - qualquer infância - que os momentos sejam muito intensos e muito efêmeros. E eu aprendi a gostar deles assim. A suposta segurança que a estabilidade traz, aquela que eu almejei durante toda a minha história de mudanças e recomeços, tem um lado sombrio que atualmente não me interessa. Prefiro o demônio que eu conheço.

Muitas dessas revoluções estão acontecendo dentro da minha cabeça, e eu sei melhor do que deixar transparecer. Mas estão lá. E estão sendo devidamente registradas, mesmo as mais passageiras e as mais desagradáveis. Têm o gosto agridoce da familiaridade misturada com a novidade. E o alívio de não precisar mais ser o vencedor que conquistou seus demônios e suas limitações, físicas e químicas, e virou perfeito - um perfeito boçal. Chega de me preocupar em manobrar a vida em direção a um futuro que não sobreviveria ao escrutínio do tempo e da lógica de qualquer forma. A instabilidade não é tão ruim para quem se criou nela, e o carinho com que eu recordo os últimos 12 meses da minha vida me fazem pensar que a vida é melhor aproveitada de momento em momento, sem se preocupar com a continuidade.

Que venha o meu próximo neoaniversário. Tenho fome de viver.

Wind

16.2.09

Eu só queria dizer que é ok sentir desamparo de vez em quando. Foi assim que você aprendeu a resolver as coisas sozinho, não foi? Encarando os problemas maiores que você porque estava amparado e protegido das consequências de um fracasso, e construindo sua experiência. Natural sentir falta agora que se está encarando desafios maiores e a rede de segurança não dá mais conta de uma queda. Isso é evolução.

Queria dizer que o medo é um dispositivo de segurança e que saber a exata medida entre dar ouvidos a ele e ignorá-lo não é uma ciência simples, ou exata. Ninguém vai te julgar por cometer enganos, exceto as pessoas que julgam por esporte, mas essas são as verdadeiras fracassadas e jamais saberão o que é uma conquista porque se borram de medo de tentar.

E também dizer que não é nenhuma vergonha se sentir solitário numa multidão. A partir de um ponto da vida, cada um escolhe seu caminho e seu ritmo e isso separa, sim, as pessoas. Não é todo mundo que se aprofunda tanto na compreensão da própria alma - menos ainda na dos outros. Isso não faz de ninguém mais ou menos egoísta, mas certamente faz mais ou menos qualificados para fazer companhia ou contribuir edificantemente para seus questionamentos. Milhares de boas intenções podem não gerar uma única ação eficiente, e essa é a vida.

Mas acima de tudo, quero dizer que não é nenhuma fraqueza ou humilhação ter que estar escrevendo isso pra você mesmo. Se é o que você precisa ouvir, e tem que ser na terceira pessoa pra fazer efeito, então estamos apenas sendo pragmáticos. Porque é melhor tomar a iniciativa de resolver do que continuar lamentando as condições externas não-favoráveis, porque só a primeira atitude gera resultados.

E você é um solucionador de problemas. Um dos melhores que eu conheço. Orgulhe-se disso, sempre!

15.1.09

Muse - Ruled by Secrecy

Tirada de ouvido hoje mais cedo.




Wind

10.1.09

Se tem uma coisa que me frustra, é ser cada vez mais incapaz de assimilar e racionalizar minha própria vida. Era algo que eu fazia com relativa facilidade ao longo da adolescência (afinal, tinha bem menos vida para analisar, e vários aspectos dela ainda eram desconhecidos), e de fato me orgulhava das minhas autoanálises sempre tão acertadas. Acho que pessoas que não questionam e não avaliam as coisas deixam de subir no bonde da maturidade para vagar a pé e sem rumo pela vida. Mas tanta coisa aconteceu de lá para cá que o próprio volume de dados tem dificultado e ralentado o processo. E eu, como todo bom TDAH, abomino processos lentos.

Depois das grandes mudanças do ano passado, eu tive que botar para funcionar músculos analíticos que há muito estavam adormecidos ou funcionando no automático, terceirizados. Cheguei a alguns pontos importantes que, teoricamente, me revolucionaram o pensamento e me fizeram entrar num novo estágio de maturidade. Mas não raro eu me pego conjecturando se na verdade não involuí mais ainda, se não voltei a ser um adolescente despreparado dando murro em ponta de faca para aprender que corta.

Acho que é uma consequência natural do reaprendizado, ter que revisitar fases da construção do caráter que já havíamos superado. Algo como fazer um novo vestibular depois de formado. É sempre tudo tão diferente, e, ao mesmo tempo, tão estranhamente igual. Até a sensação de nostalgia e deslocamento está lá. E o desespero eventual de achar que já estive ali antes e que não estou de forma alguma andando para a frente.

É como o que acontece comigo quando eu passo algum tempo sem nadar. A maior dificuldade de retomar natação depois de um intervalo grande (festas de fim-de-ano, férias, etc.) não é a condição física ou a resistência. É a apnéia. Toda vez, é um esforço para convencer meu cérebro que meu pulmão tem oxigênio suficiente e que eu não estou morrendo e não preciso iniciar movimentos espasmódicos de sobrevivência. Não costumo levar mais do que duas ou três chegadas para bloquear o instinto, mas são momentos intensos em que a razão batalha com o inconsciente, e sempre enfrentando a real possibilidade de perder.

Alguns aspectos da minha vida atualmente são como uma longa submersão. E eu tenho plena consciência de que fui eu que escolhi dar o mergulho, movido por vários sentimentos, e dentre eles, obviamente, a necessidade de me testar e de vencer a desorientação e a falta de sentido que a depressão do ano passado me deixaram como aftertaste. Mas toda e qualquer segurança que eu demonstro vem unicamente da certeza que: 1) eu já fiquei submerso no turbilhão por mais tempo antes e sobrevivi; e 2) apesar do meu subconsciente não acreditar, existem benefícios a serem colhidos por viver mais essa provação.

Infelizmente, isso não impede o subconsciente de me fazer passar por um terror sobrepujante, e de me perguntar às vezes se isso tudo vai mesmo acabar bem, se eu não cometi algum erro monstruoso de cálculo que vai por tudo a perder. E as consequências de um erro a essa altura do campeonato seriam mais do que eu sou capaz de aguentar, porque por mais controladas que sejam as condições, o meio onde me desloco é potencialmente fatal.


Wind

31.12.08

Carta a 2009

Olá. Ainda não nos conhecemos, muito prazer. Sou o Rafael. Estaremos juntos pelos próximos 365 dias, e eu queria dizer umas coisas antes de começarmos.

Sei que você mal chegou. Em vários pontos do planeta, você ainda é futuro. Mas garanto que, ao menos por mim, você é muito aguardado, desde sempre. Não digo isso para comprar simpatia, mas unica e exclusivamente para dizer que seu antecessor, 2008, não vai deixar quaisquer saudades. De fato, talvez seja lembrado por décadas e décadas com certa amargura de minha parte, como um amigo que apunhala você pelas costas.

Antes de 2008 chegar, o ano de 2007 tinha sido um ano de construções. Um ano de muito trabalho, muita ralação, e de muitas conquistas. Um ano inteiro que dediquei a criar uma nova realidade, mais confortável, mais nobre, mais próxima do meu futuro ideal. 2008 foi muito aguardado, tanto quanto você é agora. Nos primeiros meses, tudo foi fantástico. Era um ano que tinha tudo para ser o primeiro do resto de minha vida, uma vida de realizações das promessas que 2007 me fez.

Mas hoje, olhando para trás, eu sei que 2008 não estava realmente me amando como eu o amava. Na verdade, hoje eu sei que 2008 me odiava irracionalmente e que tudo o que fez por mim foi uma farsa. O ano nunca quis me favorecer, e eu devia ter desconfiado quando começou a me dar porradas na cara do nada e depois fingir que nada havia acontecido. Mas eu não desconfiei. Eu confio muito nos anos, sabe? É essa mania de acreditar que eles são apenas um ciclo de translação ao redor do sol, apenas um conjunto de 365 dias (366 no caso de 2008) que não diferem em nada dos anteriores ou posteriores exceto por uma convenção social.

Mas o fato é que 2008 revelou sua cara muito cedo, e com um golpe quase mortal, destruiu tudo que 2007 havia construído. Não só 2007, como praticamente tudo que eu havia aprendido com 2003 em diante, e até algumas coisas mais antigas. Massacrados pelo ano traiçoeiro que não acreditava nos meus sonhos. Desse momento pra cá, eu e 2008 tivemos uma relação forçada, pois ocupávamos o mesmo lugar no universo, mas eu obviamente não queria nada com ele e nem ele queria nada comigo. Uma situação que me é inclusive familiar, e talvez por isso eu tenha conseguido juntar forças para esperar a partida dele. Mas não foi fácil. Nosso rompimento aguou todas as outras coisas que ele posteriormente me ofereceu, talvez por cinismo, talvez por pena. Chegamos a rir juntos em alguns momentos, mas eram risadas amarelas. Lá no fundo, eu simplesmente não queria mais ter nada a ver com 2008, nem ele comigo.

E é nesse pé em que você me encontra, jovem ano de 2009. Aliviado por ter sobrevivido a meu algoz, e ansioso, embora cauteloso, para saber como nos daremos.

Tomei o cuidado de não criar expectativas para você. Aceito-o como você chegar. Esse ano, não farei resoluções, nem planos, nem pedirei nada a Iemanjá, nem passarei com roupas coloridas. Não me iludo mais, vocês anos são melindrosos e têm idéias próprias do que farão conosco. Mas minha reticência não é de forma alguma uma predisposição negativa. Por mim, seremos muito amigos, os melhores da história, e teremos muita coisa boa para contar para nossos descendentes. Mas se não for tão bom assim, não ficarei triste. Sei que você não será pra sempre também, e estou ok com isso. Quando 2010 vier, me entenderei com ele, tenho certeza.

Se me permite pedir algo, uma única coisa, só peço que me trate com respeito. Sou paciente, tolerante, não sou mais criança (se tem algo que devo a 2008, foi um enorme amadurecimento), e tenho os pés no chão. Mas não sou invencível, e se você quiser me massacrar como 2008 fez, ou tentar ser pior, não sei como será. Só uma certeza eu tenho, que na sua despedida, no próximo Reveillon, estarei aqui ainda para acertar a conta e passar a régua.

O que acontece entre hoje e lá, fica por sua conta.

Não me decepcione!




Rafael

27.12.08

Enquanto escrevo esse post, estou sentado em uma confortável pedra em formato de sofá, no meio do pasto do sítio dos meus avós, lutando para enxergar algo no monitor apesar do sol ofuscante. Tentei escrevê-lo ontem à noite, mas infelizmente, a despeito dos avanços tecnológicos da última década, sinal de celular (e, consequentemente, internet móvel) aqui só existe do lado de fora da casa, e na curta trégua que a chuva deu ontem, um incidente com uma aranha armadeira que resolveu veriricar de onde vinha tanto brilho e pulou no meu monitor abortaram precocemente meu projeto de blogada. Pelo menos agora está seco e o brilho do monitor, que quase não é suficiente para furar o antireflexo, não vai atrair nenhum aracnídeo peçonhento curioso.

É justo questionar o que de tão importante eu teria para escrever que me fizesse enfrentar a natureza em busca de um resquíscio de modernidade, tão malvisto nestes recantos bucólicos do planeta. O que me motivou foi justamente o lugar. O sítio dos meus avós, Santana do Serrano, carinhosamente conhecido como Bauzinho pela família Savastano. Bauzinho porque ele tem uma vista privilegiada da Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí. Meus avós compraram esse lugar quando eu ainda tinha uns 6 anos de idade. Permutaram pela casa aonde meu pai e alguns dos tios nasceram, e aonde nós (eu e minhas irmãs, uma das quais recém-nascida) tínhamos brevemente residido antes de irmos para o Rio em 86. Desde que consigo me lembrar, o Baú tem sido palco das festas mais divertidas da família, e das viagens mais memoráveis. E sempre que eu piso aqui eu me pergunto por que diabos eu tenho vindo cada vez menos para cá.

Por um lado, tem a ver com o inevitável crescimento da família. Sou o neto mais velho e sempre tive uma exclusividade limitada de direitos na casa da minha avó. Também fui o responsável por desbravar vários caminhos não trilhados, o que evidentemente sempre facilitou a vida dos meus primos e irmãos mais novos. É uma troca justa, mais privilégios e mais responsabilidades. Mas hoje em dia quase todos os 24 (com mais um a caminho!) netos de D. Ângela são maiores de idade, vacinados, e com seus róprios planos para feriados prolongados. Por consequência, graças a uma política social velada, o sítio acabou sendo "herdado" pela segunda geração de netos. E o fato de nunca conseguir uma data que já não estivesse ocupada pelos jovens em questão me fez desencanar um pouco de vir para cá ou trazer amigos (até porque, conseguir agendar outra data importante como o Reveillon de 99 só para mim e para amigos meus provavelmente nunca acontecerá)

Mas por outro lado, não consigo deixar de sentir que parte da culpa é minha. Eu nunca encontrei um lugar para o sítio na minha autoproclamada "vida adulta." E aqui no meio do nada, com vento no rosto e ouvindo a algazarra dos pássaros, eu começo a desconfiar que o que eu fiz foi bloquear uma parte de mim que sempre pertenceu a esse lugar. Porque essa é a parte infantil que vê qualquer buraco no mato como um convite à exploração, um portal para uma aventura fantástica; que associa cada barulho a um ser folclórico ou mitológico, um fantasma ou um alienígena furtivo; que deita na grama para olhar as estrelas e sente que a qualquer momento a gravidade pode se inverter e eu posso cair no vazio imenso.

Tem muitos sonhos inacabados perdidos entre as árvores do quintal e entre as pedras do riozinho. Grandes sagas que eu levava comigo e que continuavam de onde tinham parado sempre que eu botava os pés aqui de novo. Grandes certezas, como a de que eu estava cada vez mais próximo de conseguir levitar ou virar um peixe e respirar embaixo d'água (só precisava ser um pouco mais velho). Grandes amores platônicos da infância e da adolescência que viravam fantasias românticas bestas que sempre - sempre - aconteciam aqui. Nenhum deles teve desfecho, porque ficaram aqui esperando meu retorno, e eu não voltei mais. Até continuei aparecendo, eventualmente, mas sempre como um estranho, como um convidado na minha própria casa.

Não sei por que diabos eu decidi, consciente ou inconscientemente, que não iria mais revisitar meus sonhos. Mas uma coisa é certa. Aquele Rafael pequeno e delirante era muito mais corajoso do que eu. Os espinhos na mão, ralados no joelho, carrapatos na virilha, eram todos parte da diversão. Eram as dificuldades que potencializavam a vitória. Cada vez que eu saía da estrada e inventava uma trilha, eu tinha certeza que ia ficar ardido e incomodado por semanas com as escoriações, mas o impulso era irresistível. Tão diferente do que eu sou hoje!

Para variar, eu não me permiti ficar aqui muito tempo. Mal cheguei e já vou embora. Podia ficar mais, podia voltar para passar o ano novo, mas não ia adiantar muita coisa. Saber da minha dificuldade de conexão com o Baú não ajuda em nada a superá-la, infelizmente. Mas ao menos eu posso tentar levar para casa, no mínimo, esse post. E meditar sobre a lembrança de uma época em que, ao invés de desistir antecipadamente de tudo que requira esforço ou que vá causar dor, eu pulava de cabeça só pela emoção de superar.

1.12.08

Dezembro não começou muito bem. Primeiro, porque a UERJ inventou de voltar da greve a essa altura do campeonato, pra fazer aquele intensivão de 3 semanas antes do recesso de fim-de-ano, efetivamente matando todos os meus planos de passear com minha prima Marcela, que eu não vejo há 11 anos e que chega do Chile no dia 07 para ficar lá em casa. Pensem numa revolta.

Além disso, como muitos podem ter deduzido pelo silêncio, eu não passei no exame de moto. Metade da responsabilidade é minha, talvez por ter deixado o imenso e inevitável intervalo entre a última aula prática e a prova diminuir minha atenção. Mas a outra metade é culpa da porra da autoescola, que mais uma vez me informou mal e me sacaneou muito, mas muito feio. Isso porque após um mês e meio parado, eu estava contando com a prática do dia que, segundo meu instrutor, aconteceria enquanto os alunos aguardavam a vez de ir para a fila do circuito. É claro que não teve. É claro que podia ter, tinha moto (mais de uma) disponível, tinha capacete, eu tinha a grana pra pagar, mas o instrutor que estava lá (não era o meu, pra piorar) fez um enorme esforço para me forçar a "ajudá-lo a me ajudar." Em nenhum momento ele disse nada nesse sentido, mas ele certamente fez bastante esforço para dificultar as coisas para mim, ao mesmo tempo que me olhava com cara de debochado. Nunca na minha vida tive tanta vontade de socar alguém!

Resultado: errei um dos cones logo de saída. Um erro inevitável pra quem passou tanto tempo sem treinar (coisa que aliás é efeito direto da sistemática do Detran, que exige as 15 aulas completas para poder marcar a prova, e sempre abre a marcação 45 dias antes dos exames), e que jamais aconteceria se eu tivesse dado uma mísera volta com a moto de treino antes de pegar o circuito oficial. Não comentei antes porque nem sei o que eu faço agora, minha vontade era desistir, mas eu inventei de fazer a inclusão de categoria junto com o vencimento da carteira, então enquanto eu não conseguir passar na porra da prova, nem carteira de motorista tenho mais. E isso me irrita mais ainda por saber que continuarei dependendo dos pela-sacos da autoescola, pelo menos por hora. Juro que quando isso terminar eu taco uma bomba naquela merda.

E eu que achava que corretores de imóveis eram escrotos.


Wind