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1.12.08

Dezembro não começou muito bem. Primeiro, porque a UERJ inventou de voltar da greve a essa altura do campeonato, pra fazer aquele intensivão de 3 semanas antes do recesso de fim-de-ano, efetivamente matando todos os meus planos de passear com minha prima Marcela, que eu não vejo há 11 anos e que chega do Chile no dia 07 para ficar lá em casa. Pensem numa revolta.

Além disso, como muitos podem ter deduzido pelo silêncio, eu não passei no exame de moto. Metade da responsabilidade é minha, talvez por ter deixado o imenso e inevitável intervalo entre a última aula prática e a prova diminuir minha atenção. Mas a outra metade é culpa da porra da autoescola, que mais uma vez me informou mal e me sacaneou muito, mas muito feio. Isso porque após um mês e meio parado, eu estava contando com a prática do dia que, segundo meu instrutor, aconteceria enquanto os alunos aguardavam a vez de ir para a fila do circuito. É claro que não teve. É claro que podia ter, tinha moto (mais de uma) disponível, tinha capacete, eu tinha a grana pra pagar, mas o instrutor que estava lá (não era o meu, pra piorar) fez um enorme esforço para me forçar a "ajudá-lo a me ajudar." Em nenhum momento ele disse nada nesse sentido, mas ele certamente fez bastante esforço para dificultar as coisas para mim, ao mesmo tempo que me olhava com cara de debochado. Nunca na minha vida tive tanta vontade de socar alguém!

Resultado: errei um dos cones logo de saída. Um erro inevitável pra quem passou tanto tempo sem treinar (coisa que aliás é efeito direto da sistemática do Detran, que exige as 15 aulas completas para poder marcar a prova, e sempre abre a marcação 45 dias antes dos exames), e que jamais aconteceria se eu tivesse dado uma mísera volta com a moto de treino antes de pegar o circuito oficial. Não comentei antes porque nem sei o que eu faço agora, minha vontade era desistir, mas eu inventei de fazer a inclusão de categoria junto com o vencimento da carteira, então enquanto eu não conseguir passar na porra da prova, nem carteira de motorista tenho mais. E isso me irrita mais ainda por saber que continuarei dependendo dos pela-sacos da autoescola, pelo menos por hora. Juro que quando isso terminar eu taco uma bomba naquela merda.

E eu que achava que corretores de imóveis eram escrotos.


Wind

5.5.04

PÔÔÔRRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!

Caralho, que MERDA!! Paguei 30 e tantos pela inscrição no vestibular da UERJ e PERDI O PRAZO DE ENVIO DO CARTÃO!!!! E tudpo porque eu ando TÃO ocupado que comprei a parada e nem tive tempo de ler... mas tava crente que tinha PELO MENOS uma semana de intervalo entre o fim da data pra comprar e pra enviar...

Tudo bem que tem outra chance no fim de julho, mas o que me dá mais ÓDIO é que eu gastei a MERDA da taxa pra nada!!!

PUTAQUEPARIUBUCETA!!!!

ódio, ódio, ódio....



Wind, estressado

27.4.04

Cara. Algum de vocês (parcos leitores que me restam) já se sentiu burro? Não digo ter feito algo estúpido e se arrepender depois. Digo se sentir efetivamente burro, mentalmente incapaz de assimilar informação. Já? Bem, eu definitivamente já.

É agoniante a sensação de não conseguir compreender algo que realmente te interessa. Quer dizer, já é ruim o suficiente não entender por achar o assunto sacal. Mas pior ainda é QUERER entender algo que lhe é fascinante, e não conseguir.

Não estou falando de mulher (embora a comparação seja válida). Estou falando de matemática. É, matemática. Trigonometria, em particular.

É simplesmente e absolutamente frustrante minha inépcia em assimilar a trigonometria. Desde pequenininho. E não é uma questão dos professores escrotíssimos que têm uma recusa - proposital, até - de ensinar a matemática usando exemplos práticos da vida cotidiana para ilustrar o pensamento teórico. Não, isso pode ser responsável por eu nunca ter aprendido cálculo, talvez. Mas não trigonometria.

Trigonometria é parte essencial da física. E eu AMO física. Justamente porque, ao contrário dos matemáticos acadêmicos que adoram se punhetar num universo abstrato e desprezam a vida real, a física é aplicação direta do pensamento matemático ao universo. Todos os professores de física sempre rechearam as aulas com exemplos de onde e quando os cálculos são usados, a necessidade que levou à formulação das soluções, e sempre - especialmente nos cursinhos - de uma forma muito leve e divertida.

Mas ainda assim, mesmo com todo o ambiente propício, a porra da Trigonometria não se assenta no meu cérebro. Tá, tudo bem, culpa da TDAH, pode ser. Mas mesmo agora, já com problema resolvido, ainda é um sacrifício imenso pensar trigonometricamente sem catar um milho fudido.

Não tem nada de difícil na teoria. Os fundamentos todos eu conheço. As aplicações também. Me dando um papel e uma caneta, posso fazer inúmeros cálculos trigonométricos e me divertir horrores no processo. Agora. Todos os físicos que eu conheço - e a maioria dos alunos que passam mesmo no vestibular mais xulé - eventualmente adquirem um senso automatizado das relações trigonométricas, de modo que podem conversar em abstrações maiores, assumindo-se a trigonometria como fator notável das equações.

E eu sou INCAPAZ de fazer isso. Mesmo! Toda vez que vejo um seno na minha frente, eu tenho que desenhar o círculo trigonométrico, um triângulo retângulo, e todas as 3 ou 4 fórmulas decoradas de trigonometria, e refazer todo meu raciocínio até compreender o significado dele em uma equação. Isso sem contar que, se passou de seno e cosseno, no máximo uma tangente ou outra, eu simplesmente tenho que subir na estante e pegar meus livrinhos de segundo grau e reler TUDO!

Aí fica aquela situação ridícula, todo mundo numa sala de aula meneando a cabeça pensativamente quando o professor escreve uma equação trigonométrica no quadro, e eu tendo que lembrar qual cateto divide pela hipotenusa!!

Eu acho que eu sou simplesmente lento. Não tem como negar. Eu demorei 3x mais que a mais lerda e repetente das crianças pra decorar a tabuada. Sempre fiz todas as contas nos dedos, e estava confortável com isso. Até que as contas começaram a ficar maiores que a mão. E que o cérebro. Aí que meu mundo matemático desabou :/

Tudo bem, não se pode querer ser bom em tudo. Mas porra, matemática era uma coisa que eu realmente GOSTARIA de ser bom. Quebraria um galhão na minha área de trabalho, além de me trazer enorme satisfação pessoal. Eu não ligo picas pra não saber Química e dou graças a deus de ter uma irmã Bióloga. Mas Matemática, eu lamento ser burro demais pra entender.... tsc


Uau, um texto enorme de desabafo como nos velhos tempos!! Isso pede uma cerveja! Ahn. Dammit. Ainda falta 1 hora pro fim do expediente +P




Wind

10.11.03

A gente passa a vida inteira tendo que desviar de indivíduos que atravancam nosso progresso, quer voluntária, quer involuntariamente, mas é de lascar quando o maior boicotador é a gente mesmo :/ Essas pequenas coisas que a gente vive 'esquecendo', vive fazendo 'sem querer', mas de uma forma sistemática e infalível. E o pior é que é inconsciente MESMO, a gente jura de pé junto que não vai mais deixar acontecer, que foi a última vez, mas de repente, POU, acontece tudo de novo. Com consequências geralmente desastrosas.

A última dessas que eu me aprontei foi perder, DE NOVO, o prazo de inscrição para a transferência de faculdade. O que basicamente assinou o atestado de óbito da minha carreira acadêmica. Já estava absolutamente desestimulado e sem perspectiva com relação à faculdade, os anos de TDAH deixaram um estrago muito grande para consertar, e agora essa foi a gota d'água. Não tenho mais ânimo nem vontade para continuar meus estudos na UFRJ. Fico, sim, extremamente deprimido, me sentindo um fracasso total e absoluto, mas quando até meu subconsciente me passa a perna e ajuda a pregar a tampa do meu caixão, é porque não pode estar sendo bom. Foda é que se eu quiser me formar em faculdade vou ter que fazer outro vestibular, que na mais otimista das hipóteses, só vai me colocar na universidade de novo em janeiro de 2005. E mesmo se eu seguir o curso com 100% de aproveitamento, vou estar me formando só aos 29 anos.

Não consigo evitar de me deprimir com isso, não consigo evitar de achar que nunca vou ser """normal""", por mais que eu tente. É um conceito idiota, esse, de que se vc não tem diploma vc não é normal. Mas é o conceito pelo qual o mercado de trabalho idiota se regra. E é o conceito que todo mundo, bem ou mal, por mais que não perceba, buzina na sua orelha o tempo todo. Não sei no que um diploma de informática me engrandeceria como pessoa ou como profissional, mas também aprendi a não conseguir ver a vida sem um diploma. Parece que eu vou ser eternamente inferior e destinado a fazer trabalhos menores e desimportantes. E eu sei que no fundo, no fundo, eu entrei na faculdade de Informática para ter uma função que me desse dinheiro para sustentar meus outros sonhos, o sonho de fazer música por exemplo. E agora eu tenho um emprego público que já cumpre esse papel. Então, por quê me assusta tanto a idéia de largar essa merda de faculdade e ir estudar sozinho coisas que eu gosto?

Acho que fui criado pra ter mentalidade de empregado. A idéia de fazer as coisas sozinho e ir batalhar me apavora. É muito mais condizente com meu instinto, com meu modo de ver as coisas, mas ainda assim me apavora muito.

Acho que minha psiquiatra é que estava certa, preciso de um analista. Bah!




Wind