Hoje é meu último dia de Tribunal. O fim de um ciclo que começou lá no infinitamente distante ano de 2003, meio de surpresa, no embalo de uma grande virada na minha vida que foi o diagnóstico e subsequente tratamento do meu TDAH. Aconteceu tudo meio de surpresa, de improviso. No último dia de inscrições, uma amiga me perguntou se eu iria prestar, porque era para a área de informática e a inscrição estava baratinha. Naquela época, no início da minha Fase Ritalina, eu estava fascinado com minha própria capacidade de me focar em coisas que antes eram praticamente impenetráveis para mim de tão maçantes, então em um mês entre a inscrição e a prova eu li duas apostilas dessas de banca e, para minha surpresa (e para agravar minha sensação de que eu tinha despertado um tipo de superpoder que me permitia fazer qualquer coisa) passei em primeiro lugar, e fiquei com a única vaga que estava em disputa. Mesmo não tendo nunca sido minha ambição, ou mesmo pretensão, terminei aquele ano - que havia começado no fundo do poço, abandonando a UFRJ e entregue à certeza de que eu era um vagabundo sem rumo incorrigível - como funcionário público do judiciário federal.
Anteontem, dei a canetada no formulário de pedido de exoneração. Não foi uma atitude de impulso, mas também não foi resultado de um cuidadoso planejamento ao longo dos anos para migrar do serviço público para algo mais ambicioso fora dele (coisa que eu tinha em mente nos primeiros anos, mas que foi sendo postergado até ser, finalmente, esquecido). Foi apenas como as coisas aconteceram. Diversos acontecimentos ao longo do último ano foram alterando cada vez mais as minhas perspectivas de futuro até que, no início do segundo semestre, a permanência no Rio de Janeiro ficou insustentável financeiramente, e tomamos a decisão de irmos para São Paulo, aonde as condições são suficientemente melhores para que a nossa subsistência seja garantida. Eu tive a chance de fazer uma permuta com um funcionário do TRT de São Paulo, mas apareceu uma proposta mais interessante, tanto financeira quanto profissionalmente, na iniciativa privada. Então eu fiz a opção, e foi uma opção bastante natural para mim.
O que eu não esperava, no entanto, era a reação das pessoas. Não houve um único parente, amigo ou colega que não tenha arregalado os olhos ao descobrir que eu estava me exonerando daqui. Eu já contava a novidade esperando os olhos dos interlocutores se esbugalharem, e eventualmente a boca entreabrir incredulamente. Muitos me parabenizaram pela "coragem," alguns me perguntavam um "mas por QUÊ" em tom confuso, e houve mesmo quem tenha tentado me dissuadir da idéia - em especial meu chefe, o que é até compreensível, mas nem de longe ele foi o único. Alguns me suplicaram para repensar, para tentar uma licença sem vencimentos - o que acabei fazendo, a contragosto, mas a probabilidade dela ser dada em tempo hábil era zero, então não insisti. E, afinal, não era o que eu queria. Eu queria sair, e foi o que eu fiz. E por um momento, quando assinava a papelada, me senti cometendo um crime, ou desrespeitando as crenças e os valores alheios, tamanha a resistência que a idéia teve entre todos os que me cercavam. Isso me deixou, de certa forma, triste. Mas foi só quando um colega daqui, com quem eu troco uma ou outra palavra, aproveitou que estávamos descendo juntos no elevador para - gaguejando, acreditem - me parabenizar pela coragem de ser "um dos raríssimos casos na história do Tribunal a pedir exoneração voluntariamente," que eu percebi que eu não tenho por que me sentir mal. Não estou sendo corajoso, irresponsável nem temerário. Os outros é que não entendem nada da vida.
Não quero que pensem que eu não entendo o que significa ter um emprego estável, ou que não dou valor aos benefícios que minha carreira oferece. Eu sei muito bem o que significa estar aqui, e o que significa estar trabalhando pela CLT para a iniciativa privada. Sei de muita gente próxima - bem próxima, inclusive - que vive perrengues terríveis no mercado de trabalho atualmente e que daria tudo para ter a estabilidade que eu estou, no conceito leigo de alguns, jogando fora. Mas a verdade é que, em 11 anos de Tribunal, eu não senti essa tão romantizada estabilidade que todo mundo associa ao funcionário público. Claro, eu tinha garantias que a maioria não tem - a de que eu não seria um belo dia chamado na sala do chefe para ouvir que a barca do downsizing estava passando e me levando, por exemplo. Mas no quadro geral - na vida, nas finanças, na saúde - não tive nenhuma estabilidade não. E nem poderia ter, porque estabilidade é uma utopia, um construto, um pote de ouro ao fim do hipotético arco-íris da vida diária. É uma mentira colorida feita para trazer perspectiva de conforto, muito como a fé em alguma religião da vida.
Aos 33 anos, eu hoje tenho o pleno conceito da diferença entre conhecimento e sabedoria. É fácil adquirir conhecimento, mas a sabedoria depende diretamente da experiência de vida. Quando aquele colega falou comigo que "mas de repente você também terá uma estabilidade lá na empresa, por causa das circunstâncias, né?" eu me senti conversando com uma das personagens do Mito da Caverna, de Platão, que tentava compreender o que eu iria fazer do lado de fora onde não haviam sombras perfeitamente definidas. E ele deve ser uns 20 anos mais velho do que eu, mas naquele momento, toda a falta de sabedoria dele transbordou aos olhos. E eu me senti aliviado, porque até o momento, toda a incredulidade e toda a negatividade dos outros em relação a minha decisão - mesmo dos amigos que me apoiaram, mas nunca sem deixar escapar um "tem certeza?" que demonstrasse que eles, também, não concordavam comigo em algum nível - tinha me deixado numa situação que só poderia ser explicada de duas formas: ou eu estava completamente maluco, ou todo mundo ao meu redor estava completamente desinformado. Naquele momento, tive certeza que era a segunda opção.
E não culpo ninguém por isso, realmente. Como eu disse, conhecimento é uma coisa, sabedoria é outra. Uma pessoa pode aprender muito cedo na vida que a natureza é uma coisa dinâmica, mas enquanto houver qualquer ilusão de segurança à qual ela possa se apegar, mesmo que subconscientemente, essa informação será apenas conhecimento. É só após muitos anos vivenciando as inconstâncias da vida, só depois que o tempo demole um a um todos os supostos portos seguros de uma pessoa, que o conhecimento é absorvido pela alma e vira sabedoria. Por isso idosos são tão sábios, mesmo quando não tiveram muito acesso a informação e conhecimento na vida. Porque eles detém essa vivência, que nem o mais estudioso dos jovens pode ter.
Eu tenho uma vantagem nesse aspecto. A minha vida é mais inconstante do que a média. A instabilidade não está só nos movimentos sociais, econômicos e geopolíticos ao meu redor, está dentro da minha cabeça. A vida de um TDAH é uma eterna instabilidade. É uma torrente constante de frustrações, pancadas, pequenas derrotas. Então, de certa forma, não estou abandonando estabilidade nenhuma. Pelo contrário, esse último ano foi um dos mais instáveis e malucos de minha curta-mas-não-tanto vida, e eu tive que lidar com mais momentos de chão sumindo de baixo dos pés em 11 meses do que muita gente lida a vida inteira. Estar ou não no serviço público não vai me trazer esse falso conforto de uma suposta estabilidade, porque aqui a guerra é 24/7.
Por outro lado, talvez isso seja bom. Talvez a instabilidade, a incerteza, me faça bem. Minha produtividade aqui no TRT, que era tão elogiada nos primeiros anos que passei aqui, caiu a quase zero nos últimos. Em parte porque eu me desmotivei com a falta de desafios e o ambiente tedioso, e em parte porque outras partes da minha vida solicitaram minha atenção. Antes de ser diagnosticado com TDAH, eu não era um vegetal. Eu tive um bom aproveitamento no primeiro e segundo graus escolares, eu cheguei a cursar Piano na EMVL, eu tinha minhas conquistas aqui e ali... mas eu não tinha controle sobre elas. Eu me dedicava àquilo que ativava meu foco, e um dos principais ativadores era a pressão externa. Enquanto eu morava com meus pais, a dinâmica entre eu e eles gerava essa pressão, essa cobrança, que era suficiente para me levar. Foi quando saí de casa para morar sozinho que a coisa degringolou. Estar numa situação confortável, sem cobranças imediatas, acabou com minha produtividade. Quando comecei o tratamento com a Ritalina, o remédio substituiu essa pressão e eu pude enfim direcionar meu potencial para onde eu bem entendia.
Mas eu não contava com o outro lado da moeda: depois da chegada dos filhos, a dinâmica de pressão voltou a estar presente dentro da minha casa, e sequestrou toda minha energia. Eu não precisava mais de estimulantes, eu precisava de um DESestimulante, algo que conseguisse quebrar essa atração gravitacional irresistível que a pressão dos imprevistos domésticos diários exercia na minha atenção. E por anos eu tentei de tudo, troquei inúmeras vezes de remédios tarja preta, cheguei a estar tomando 10 comprimidos por dia antes dos 30 anos, mas sem sucesso. As áreas da minha vida que não me exerciam pressão (meu emprego estável, minha faculdade quase-terminada que só dependia do meu esforço em fazer o projeto final) simplesmente não tinham como competir pelo meu tempo. Isso fez minha produtividade se deteriorar completamente e me botou em maus lençóis aqui. Claro, ainda tinha o emprego, o salário e a estabilidade, mas não era mais uma peça importante para o Tribunal já há algum tempo.
Então, não é estranho que eu esteja partindo para uma empreitada arriscada. Não tem por que perder mais tempo, dinheiro e saúde procurando um coquetel químico que emule uma solução que está na minha cara: eu preciso da instabilidade, da pressão, para voltar a ser feliz. Claro que existe o outro lado da moeda - apesar de me fazer focar, a instabilidade também me exaure. Mas mesmo trocar um problema por outro é um bom negócio, porque para isso existem outras soluções que podem funcionar melhor do que o que eu tenho hoje em dia. E, se bem me conheço, uma vez que a minha produtividade profissional volte a ser estimulada, o céu é o limite.
Então relaxem, queridos amigos. Não estou louco, nem inconsequente. Estou, na verdade, dando um passo muito bem calculado e cientificamente embasado na direção de uma melhora de saúde, de humor e de vida. Só parece meio doido para vocês porque vocês ainda são apegados a noções abstratas de segurança e conforto, mas eu já descobri que segurança e conforto são contos de fadas, e que a vida é essa coisa fluida, dinâmica, e instável por natureza (tanto que a única coisa definitva que existe é justamente a morte). Não me entendam mal, não critico ninguém por valorizar a calmaria. Mas a vida vem em ondas, já diria o profeta, e eu prefiro surfar a me agarrar a uma bóia.
E vamos lá rumo à vida nova!
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7.11.14
1.12.08
Dezembro não começou muito bem. Primeiro, porque a UERJ inventou de voltar da greve a essa altura do campeonato, pra fazer aquele intensivão de 3 semanas antes do recesso de fim-de-ano, efetivamente matando todos os meus planos de passear com minha prima Marcela, que eu não vejo há 11 anos e que chega do Chile no dia 07 para ficar lá em casa. Pensem numa revolta.
Além disso, como muitos podem ter deduzido pelo silêncio, eu não passei no exame de moto. Metade da responsabilidade é minha, talvez por ter deixado o imenso e inevitável intervalo entre a última aula prática e a prova diminuir minha atenção. Mas a outra metade é culpa da porra da autoescola, que mais uma vez me informou mal e me sacaneou muito, mas muito feio. Isso porque após um mês e meio parado, eu estava contando com a prática do dia que, segundo meu instrutor, aconteceria enquanto os alunos aguardavam a vez de ir para a fila do circuito. É claro que não teve. É claro que podia ter, tinha moto (mais de uma) disponível, tinha capacete, eu tinha a grana pra pagar, mas o instrutor que estava lá (não era o meu, pra piorar) fez um enorme esforço para me forçar a "ajudá-lo a me ajudar." Em nenhum momento ele disse nada nesse sentido, mas ele certamente fez bastante esforço para dificultar as coisas para mim, ao mesmo tempo que me olhava com cara de debochado. Nunca na minha vida tive tanta vontade de socar alguém!
Resultado: errei um dos cones logo de saída. Um erro inevitável pra quem passou tanto tempo sem treinar (coisa que aliás é efeito direto da sistemática do Detran, que exige as 15 aulas completas para poder marcar a prova, e sempre abre a marcação 45 dias antes dos exames), e que jamais aconteceria se eu tivesse dado uma mísera volta com a moto de treino antes de pegar o circuito oficial. Não comentei antes porque nem sei o que eu faço agora, minha vontade era desistir, mas eu inventei de fazer a inclusão de categoria junto com o vencimento da carteira, então enquanto eu não conseguir passar na porra da prova, nem carteira de motorista tenho mais. E isso me irrita mais ainda por saber que continuarei dependendo dos pela-sacos da autoescola, pelo menos por hora. Juro que quando isso terminar eu taco uma bomba naquela merda.
E eu que achava que corretores de imóveis eram escrotos.
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Além disso, como muitos podem ter deduzido pelo silêncio, eu não passei no exame de moto. Metade da responsabilidade é minha, talvez por ter deixado o imenso e inevitável intervalo entre a última aula prática e a prova diminuir minha atenção. Mas a outra metade é culpa da porra da autoescola, que mais uma vez me informou mal e me sacaneou muito, mas muito feio. Isso porque após um mês e meio parado, eu estava contando com a prática do dia que, segundo meu instrutor, aconteceria enquanto os alunos aguardavam a vez de ir para a fila do circuito. É claro que não teve. É claro que podia ter, tinha moto (mais de uma) disponível, tinha capacete, eu tinha a grana pra pagar, mas o instrutor que estava lá (não era o meu, pra piorar) fez um enorme esforço para me forçar a "ajudá-lo a me ajudar." Em nenhum momento ele disse nada nesse sentido, mas ele certamente fez bastante esforço para dificultar as coisas para mim, ao mesmo tempo que me olhava com cara de debochado. Nunca na minha vida tive tanta vontade de socar alguém!
Resultado: errei um dos cones logo de saída. Um erro inevitável pra quem passou tanto tempo sem treinar (coisa que aliás é efeito direto da sistemática do Detran, que exige as 15 aulas completas para poder marcar a prova, e sempre abre a marcação 45 dias antes dos exames), e que jamais aconteceria se eu tivesse dado uma mísera volta com a moto de treino antes de pegar o circuito oficial. Não comentei antes porque nem sei o que eu faço agora, minha vontade era desistir, mas eu inventei de fazer a inclusão de categoria junto com o vencimento da carteira, então enquanto eu não conseguir passar na porra da prova, nem carteira de motorista tenho mais. E isso me irrita mais ainda por saber que continuarei dependendo dos pela-sacos da autoescola, pelo menos por hora. Juro que quando isso terminar eu taco uma bomba naquela merda.
E eu que achava que corretores de imóveis eram escrotos.
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8.10.08
Rápido update sobre meu projeto da scooter:
Hoje finalmente foi a última biometria (tive que ficar mais 2h enrolando em Ipanema esperando dar horário de aula) e embora ainda faltem 5 aulas práticas efetivamente, meu exame já está marcado pro dia 21. De Novembro. Era o mais cedo que tinha, mas pelo menos consegui não cair pra Dezembro.
Mas por outro lado, tanto faz. Desisti de comprar a Scooter por hora. Economia doméstica insustentável, falta de lugar pra estacionar e crise monetária internacional acabando com os preços de financiamento foram suficientes para fuder o barraco. Fail. Um dia quem sabe.
24.9.08
Sobre aulas de moto, Guitar Hero e a mente de um DDA
Hoje tive prática de moto outra vez. Dessa vez fiz o circuito completo do exame, e praticamente não errei nada. O instrutor disse que não tinha nada a corrigir e que, se houvesse exame nessa sexta, eu provavelmente passaria direto, salvo se o estado emocional interferisse.
Fiquei pensando com meus botões e achei que o estado emocional não seria um fator muito impactante, já que eu ainda tenho tempo suficiente de treino para assentar a habilidade além do alcance da insegurança. O problema maior, o que pode me custar a aprovação (e mais 100 pratas e 1 mês de espera pra remarcar exame) é justamente eu estar treinado demais.
Se tem uma coisa na qual eu sou bom, é em seguir algoritmos. Repetir padrões. Por isso o circuito da prova, pra mim, não passa de uma brincadeira divertida de memorizar uma sequência de ações pra superar o obstáculo. Se me deixassem, passava horas e horas ali treinando. Isso é uma coisa que vem naturalmente para mim, a repetição. Mas então por que eu nunca consegui, digamos, praticar piano até atingir o ponto que eu queria de habilidade?
Pensei no Guitar Hero. Modéstia à parte, eu sou muito bom em jogos de ritmo. Jogo o negócio no Expert há tanto tempo que o que para muita gente é um aglomerado de bolinhas coloridas, pra mim são padrões repetidos que se traduzem em movimentos manuais quase inconscientemente. E eu aprendo rápido, também - comprei o Rock Band há menos de 6 meses e já estou tocando a bateria no Expert também, em um nível bem aceitável (claro que tem espaço pra melhorar muito ainda, mas me dêem 2 anos e vou estar tinindo). Aí alguém diz - se é tão estimulante e fácil aprender a guitarra de plástico, por que é tão difícil aprender o piano de verdade?
Ai entra a questão do DDA. A mente inquieta. Enquanto os desafios estão sendo lançados em sucessão rápida, os reflexos à flor da pele, eu sou capaz de passar horas entretido. Mas basta a atividade automática dispensar a atenção, ficar redundante, que a mente divaga e eu cometo algum erro idiota. Mesmo me forçando a prestar atenção, pequenos deslizes aqui e ali normalmente botam tudo a perder. Essa é a razão pela qual eu sou um excelente jogador de Guitar Hero no nível fodalhão, mas sou péssimo no nível iniciante. A distância entre uma nota e outra e a simplicidade dos padrões é um convite ao desligamento e ao consequente erro. Essa é também a razão pela qual eu sempre, SEMPRE erro alguma coisa idiota em provas cuja matéria eu domino. Perdi um 10 na média de Geometria Descritiva no semestre passado por um erro tão imbecil, mas TÃO imbecil, que chega a dar desgosto. Tipo, confundir ímpar com par.
Por esse motivo, a minha dificuldade em fazer tarefas simples, eu tenho medo de treinar demais o circuito da prova de moto e, na hora, cometer alguma idiotice porque comecei a pensar na morte da bezerra. Nessa hora, o nervosismo é um inesperado aliado, porque ajuda a focar. Mas mesmo o nervosismo passa com treino suficiente. E dada minha progressão rápida nas aulas práticas, é bem capaz que eu não passe por ser tudo muito fácil.
Agora é torcer pra pegar um avaliador com cara de nazista. =P
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Hoje tive prática de moto outra vez. Dessa vez fiz o circuito completo do exame, e praticamente não errei nada. O instrutor disse que não tinha nada a corrigir e que, se houvesse exame nessa sexta, eu provavelmente passaria direto, salvo se o estado emocional interferisse.
Fiquei pensando com meus botões e achei que o estado emocional não seria um fator muito impactante, já que eu ainda tenho tempo suficiente de treino para assentar a habilidade além do alcance da insegurança. O problema maior, o que pode me custar a aprovação (e mais 100 pratas e 1 mês de espera pra remarcar exame) é justamente eu estar treinado demais.
Se tem uma coisa na qual eu sou bom, é em seguir algoritmos. Repetir padrões. Por isso o circuito da prova, pra mim, não passa de uma brincadeira divertida de memorizar uma sequência de ações pra superar o obstáculo. Se me deixassem, passava horas e horas ali treinando. Isso é uma coisa que vem naturalmente para mim, a repetição. Mas então por que eu nunca consegui, digamos, praticar piano até atingir o ponto que eu queria de habilidade?
Pensei no Guitar Hero. Modéstia à parte, eu sou muito bom em jogos de ritmo. Jogo o negócio no Expert há tanto tempo que o que para muita gente é um aglomerado de bolinhas coloridas, pra mim são padrões repetidos que se traduzem em movimentos manuais quase inconscientemente. E eu aprendo rápido, também - comprei o Rock Band há menos de 6 meses e já estou tocando a bateria no Expert também, em um nível bem aceitável (claro que tem espaço pra melhorar muito ainda, mas me dêem 2 anos e vou estar tinindo). Aí alguém diz - se é tão estimulante e fácil aprender a guitarra de plástico, por que é tão difícil aprender o piano de verdade?
Ai entra a questão do DDA. A mente inquieta. Enquanto os desafios estão sendo lançados em sucessão rápida, os reflexos à flor da pele, eu sou capaz de passar horas entretido. Mas basta a atividade automática dispensar a atenção, ficar redundante, que a mente divaga e eu cometo algum erro idiota. Mesmo me forçando a prestar atenção, pequenos deslizes aqui e ali normalmente botam tudo a perder. Essa é a razão pela qual eu sou um excelente jogador de Guitar Hero no nível fodalhão, mas sou péssimo no nível iniciante. A distância entre uma nota e outra e a simplicidade dos padrões é um convite ao desligamento e ao consequente erro. Essa é também a razão pela qual eu sempre, SEMPRE erro alguma coisa idiota em provas cuja matéria eu domino. Perdi um 10 na média de Geometria Descritiva no semestre passado por um erro tão imbecil, mas TÃO imbecil, que chega a dar desgosto. Tipo, confundir ímpar com par.
Por esse motivo, a minha dificuldade em fazer tarefas simples, eu tenho medo de treinar demais o circuito da prova de moto e, na hora, cometer alguma idiotice porque comecei a pensar na morte da bezerra. Nessa hora, o nervosismo é um inesperado aliado, porque ajuda a focar. Mas mesmo o nervosismo passa com treino suficiente. E dada minha progressão rápida nas aulas práticas, é bem capaz que eu não passe por ser tudo muito fácil.
Agora é torcer pra pegar um avaliador com cara de nazista. =P
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22.9.08
E hoje - notem bem - foi minha segunda aula de pilotagem de moto. Semana passada a porcaria da chuva não deu trégua e eu não tive nenhuma. Agora tive que remarcar pra semana que vem (teoricamente quarta-feira agora seria a última) e provavelmente só vou poder marcar meu exame pra Dezembro (!), quando fatalmetne já terei perdido toda a habilidade =/ graças a São Pedro, o sistema idiota do Detran, e minha própria agenda de compromissos diária que se unem para ferrar minha vida. Pelo menos eu tô pegando rápido o jeito, quarta já vou fazer o circuito completo e depois é só praticar até a perfeição. Vamos ver se, chegando perto da prova, eu marco (pago) mais umas aulas pra relembrar... foda é ficar sem carteira nenhuma até lá, nem de moto e nem de carro.
Ah, só uma nota quanto ao post anterior: é bom relembrar aos leitores do blog que meu compromisso sempre foi e sempre será com meu bem-estar acima de tudo. Se eu reclamo aqui e abro meu coração, é apenas um desabafo necessário para superar os obstáculos. Que é o que eu estou fazendo, sempre.
Wind
Ah, só uma nota quanto ao post anterior: é bom relembrar aos leitores do blog que meu compromisso sempre foi e sempre será com meu bem-estar acima de tudo. Se eu reclamo aqui e abro meu coração, é apenas um desabafo necessário para superar os obstáculos. Que é o que eu estou fazendo, sempre.
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10.9.08
Hoje foi minha primeira aula de pilotagem de moto. Era pra ter sido na segunda, mas choveu. E ainda rolou um arranca-rabo com o instrutor estressado que simplesmente surtou comigo porque não sabe informar as coisas e depois se irrita quando eu pergunto, mesmo que seja pela primeira vez.
Mas enfim. Passado esse episódio lamentável, hoje estava tudo ok e pude ficar praticando partida, freada e troca de marchas. Mesmo já tendo pilotado moto antes (quando tinha uns 13 anos, supervisionado pelo meu pai que sempre foi motoqueiro de trilha) eu ainda tinha um medo irracional de moto, especialmente depois que caí duas vezes (no mesmo dia!) com a 650cc do meu pai em 2000 - eu não pilotava há anos e ele quis que eu tentasse praticar no solo arenoso e seco de Brasília, com uma moto muito mais pesada do que a XL 250 antiga dele, não podia dar certo mesmo - e fiquei meio traumatizado com moto. Mas foi bem tranquilo no fim das contas.
Engraçado que relendo os arquivos do blog, encontrei um post sobre minha primeira aula de direção - 5 anos atrás, holy shit - em que eu digo que tinha a nítida sensação de que jamais aprenderia a guiar na vida. E no entanto, obviamente, eu tiro de letra hoje em dia. Acredito então que ter me dado bem com a moto logo na primeira aula é um bom sinal :)
A parte mais pentelha de pilotar moto é a troca de marchas naquele pedalzinho de 1800 e guaraná de moringa. Mas como eu tô tirando carteira pra pilotar scooter, que tem câmbio automático, é um incômodo passageiro que só vai me atormentar até o dia da prova.
Chato mesmo é saber que provavelmente minha prova vai ser só em Novembro :/ Vou bem deixar umas aulinhas de crédito pra marcar perto da data, senão vou perder toda a prática.
E é isso aí :) Boa sorte pra mim!! \o/
Mas enfim. Passado esse episódio lamentável, hoje estava tudo ok e pude ficar praticando partida, freada e troca de marchas. Mesmo já tendo pilotado moto antes (quando tinha uns 13 anos, supervisionado pelo meu pai que sempre foi motoqueiro de trilha) eu ainda tinha um medo irracional de moto, especialmente depois que caí duas vezes (no mesmo dia!) com a 650cc do meu pai em 2000 - eu não pilotava há anos e ele quis que eu tentasse praticar no solo arenoso e seco de Brasília, com uma moto muito mais pesada do que a XL 250 antiga dele, não podia dar certo mesmo - e fiquei meio traumatizado com moto. Mas foi bem tranquilo no fim das contas.
Engraçado que relendo os arquivos do blog, encontrei um post sobre minha primeira aula de direção - 5 anos atrás, holy shit - em que eu digo que tinha a nítida sensação de que jamais aprenderia a guiar na vida. E no entanto, obviamente, eu tiro de letra hoje em dia. Acredito então que ter me dado bem com a moto logo na primeira aula é um bom sinal :)
A parte mais pentelha de pilotar moto é a troca de marchas naquele pedalzinho de 1800 e guaraná de moringa. Mas como eu tô tirando carteira pra pilotar scooter, que tem câmbio automático, é um incômodo passageiro que só vai me atormentar até o dia da prova.
Chato mesmo é saber que provavelmente minha prova vai ser só em Novembro :/ Vou bem deixar umas aulinhas de crédito pra marcar perto da data, senão vou perder toda a prática.
E é isso aí :) Boa sorte pra mim!! \o/
4.9.08
Pois então. Meu mais novo projeto, para quem ainda não sabe, é a aquisição de uma scooter para me livrar das restrições do transporte público - e também pra curtir por aí. As fases preliminares já estão em curso: aproveitei que estava na época de renovar a CNH e já paguei uma inclusão de categoria. Ontem fiz o exame e amanhã devo ir na escola marcar as aulas e a prova.
Também já pesquisei bastante e me decidi pela Yamaha Neo CVT 115cc. Primeiro, porque ela tem todo o conforto das scooters clássicas (câmbio automático, economia de combustível, baú, vão central, etc.) mas tem rodas grandes de 16" - porque aquela rodinha de 10" ninguém merece - e tem potência suficiente para poder fazer curtas viagens em rodovia, o que é um dos meus maiores objetivos.Segundo, porque é a moto do Sandy & Júnior!!
Mas ainda tem um problema que eu não resolvi e que pode botar tudo a perder: AONDE CARALHOS estacionar a bicha. Minha escritura não tem vaga de garagem, e o condomínio não tem área para motos (embora tenha espaço de sobra pra fazer uma) e diz que só dá pra estacionar moto junto do carro numa vaga de carro. Que eu não tenho. E não só isso, podia pedir pra encostar na do vizinho, mas tem que ser algum vizinho muito específico porque só umas 15 vagas deixam espaço pra estacionar moto sem que o carro obstrua totalmente a mesma. "Plano B," pensei, "vou estacionar num dos dois mensalistas que tem na minha rua."
Quem disse que algum deles aceita moto?
Parei pra pesquisar direito e praticamente NENHUM estacionamento guarda moto! Isso é um absurdo! Até falei que a moto vai estar segurada, com rastreador, bloqueador e o cacete a 4, mas nem chance. Aparentemente as seguradoras metem a faca em estacionamento que trabalha com moto nas grandes metrópoles, e por consequência, esses quase não existem.
Aí eu me pergunto: COMOFAS//?/ =///////
Alguém tem alguma idéia?
Wind
Também já pesquisei bastante e me decidi pela Yamaha Neo CVT 115cc. Primeiro, porque ela tem todo o conforto das scooters clássicas (câmbio automático, economia de combustível, baú, vão central, etc.) mas tem rodas grandes de 16" - porque aquela rodinha de 10" ninguém merece - e tem potência suficiente para poder fazer curtas viagens em rodovia, o que é um dos meus maiores objetivos.
Mas ainda tem um problema que eu não resolvi e que pode botar tudo a perder: AONDE CARALHOS estacionar a bicha. Minha escritura não tem vaga de garagem, e o condomínio não tem área para motos (embora tenha espaço de sobra pra fazer uma) e diz que só dá pra estacionar moto junto do carro numa vaga de carro. Que eu não tenho. E não só isso, podia pedir pra encostar na do vizinho, mas tem que ser algum vizinho muito específico porque só umas 15 vagas deixam espaço pra estacionar moto sem que o carro obstrua totalmente a mesma. "Plano B," pensei, "vou estacionar num dos dois mensalistas que tem na minha rua."
Quem disse que algum deles aceita moto?
Parei pra pesquisar direito e praticamente NENHUM estacionamento guarda moto! Isso é um absurdo! Até falei que a moto vai estar segurada, com rastreador, bloqueador e o cacete a 4, mas nem chance. Aparentemente as seguradoras metem a faca em estacionamento que trabalha com moto nas grandes metrópoles, e por consequência, esses quase não existem.
Aí eu me pergunto: COMOFAS//?/ =///////
Alguém tem alguma idéia?
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